Desde antes de nascer, o Rodrigo era Verbo e Substantivo, nas cartas que eu escrevia (me) preparando (para) sua chegada. Depois de nascido, começou o carinho de registrar seus pequenos e grandes passos, no "Livro de Histórias do Rodrigo". Parei no volume 2, atropelada pela impossibilidade de parar tudo para vê-lo crescer. Mas a distância de pessoas queridas me provocou a mudar a forma do registro. E foi aí que esse blog começou.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
seletivo
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
racionalidade prática
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Rodrigo, modo crítico social
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
sansão às avessas
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
tecnológico
11:45eu: oi você tá boa?
Eu mereço!!!
segunda-feira, 30 de julho de 2012
maquinando
sexta-feira, 15 de junho de 2012
constatação
sexta-feira, 8 de junho de 2012
extensão
- mãe, quantas horas tem a noite?
- como assim, Rô?
- se o dia tem 24 horas, quantas horas tem a noite? 24 também?
Olha, bem que eu queria uma unidade dia-noite de 48 horas, só para poder prestar mais atenção nessa criaturinha que cresce, fervilhante :-)
quarta-feira, 14 de março de 2012
tem, mas acabou
- um papel
- uma caneta
- uma calculadora
- um amigo
De modo que as cobaias da mágica acabamos sendo nós mesmos.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
LENDO (tratar com Rodrigo)
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Lição de Lógica
Imagem: Fita de Moebius II (Formigas), M. C. Escher
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Rodrigo-Max
Imagem: Maurice Sendak
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Mais matutinas
- Mãe: sabe o que eu fiz ontem com o papai? Eu apaguei todas as luzes da casa e aí ficou tudo escuro...
Mesmo incapaz de abrir os olhos, não resisto à doçura do pequeno narrador.
- É filho? E vocês ficaram assustados?
Ele continua falando, se esquenta e resolve ir brincar de quebra-cabeças (nova paixão por aqui). Levanto, tomamos café, nos arrumamos para sair. E eu tinha compromisso cedo, então estava de olho no relógio. Como hoje é dia do rodízio e eu estava apressada, resolvemos chamar um táxi ao invés de irmos andando. Liguei num ponto: nada. Liguei em outro: nada. Tornei a ligar no primeiro: nada.
Rodrigo já se animando: - Mamãe, nós vamos ter que ir a pé!
Eu comentei então que estávamos atrasados, e que não daria tempo de andarmos. Ele então, super-macho, encostou a cadeira próximo à janela (tem rede de proteção, gente, calma...) e anunciou:
- Mãe: eu vou olhar daqui de cima, e quando aparecer um táxi a gente vai [mensagem traduzida: fica tranquila, que o homem da casa está aqui para nos proteger] :-)
Por fim, resolvemos caminhar para ver se aparecia algum táxi no caminho. Se não aparecesse.. pra que estressar, né? Iríamos andando mesmo, uai.
Finalmente, depois de três quarteirões encontramos um táxi. Ufa! Aí entramos no táxi e Rodrigo continuou suas observações no trânsito:
- Mãe, eu já sei porque tinha tanta fumaça de manhã [ele estava falando da neblina]: foram esses carros que soltaram.
Quase chegando na escola, ele comenta o brasão de uma associação, que tem uma espada, dizendo que é coisa de cavaleiro. Na mesma frase, comenta a "pesta" que está "naquela placa". Não entendo. Ele repete, falando mais alto. Continuo sem entender. Aí ele reclama:
- Ô mãe. A "pesta" da placa. Você não entende nada!
- Ah! (finalmente compreendo) A seta! Ô filho. Como assim eu não entendo nada? Poxa, eu bem que me esforço...
Vejam que, antes das 8h da manhã, a gente já tinha uma porção de causos pra contar :-)
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Gato de Botas
No final de semana passado, quando passamos rapidamente pela cidade na qual fica o sítio de uns amigos, vi que tinha uma coisa que o Rodrigo queria há tempos (nós é que não havíamos ainda encontrado no número dele): galochas!
Perguntamos, tinha o número dele. Os olhos do menino se iluminaram! E quando perguntei se ele queria a vermelha ou a azul, a resposta veio rápida: "A vermelha!".
Ele passou o final de semana inteiro andando pelo sítio, feliz da vida em suas galochas novas. Exploramos o lugar, colhemos quilos e quilos de limão cravo, pegamos alecrim, tomilho e hortelã na horta, vimos os cachorros, patos e galinhas e ainda pescamos peixes na peneira - de tão grande que eles eram, só na base da peneira mesmo ;-) E meu pequeno lenhador, o tempo todo de botas vermelhas.
Domingo à noite voltamos, e o plano fundamental da volta era "mostrar pro meu papai as minhas botas novas".
E na terça, quando fomos levar para uma amiga um pouco dos limões colhidos, tivemos que bater de novo à porta dela porque, na saída, ele fez um bico triste e comentou "ela nem viu as minhas botas"...
De modo que agora, mesmo no sol que anda fazendo, Rodrigo anda de botas. E vocês nem sabem como elas são mágicas: com elas, os pulos são mais altos, os sorrisos mais abertos, as poses muito mais heróicas...
segunda-feira, 8 de junho de 2009
12 de maio de 2008
-Estou com foooome...de mamãe!
Meu filho aprendeu a falar de falta. E de desejo.
29 de abril de 2008
Meu sangue de pesquisadora não me abandonou nem mesmo durante a gravidez: eu queria saber tudo, conhecer tudo, me preparar da melhor maneira. E foi nessas pesquisas que conheci os carregadores de pano, os slings.Conheci primeiro os da Bettina, lá do sul. Achei tudo lindo e fiquei animada com a perspectiva de carregar o filhote daquele jeito. Mas o tempo foi voando, o Rodrigo resolveu nascer 3 semanas antes do previsto e eu até ia me esquecendo do tal do sling...
Mas como a necessidade é a melhor amiga das boas idéias, quando o Rô estava com cerca de um mês e eu super cansada, sem conseguir sair de casa (as ruas aqui perto são intransitáveis com carrinhos...), lembrei do sling. E corri procurar uma alternativa mais próxima de SP (leia-se: mais rápida e portanto mais adequada à minha situação de desespero).
Foi então que encontrei a Analy (que naquela época tinha o www.babywearing.com.br) e encomendei um sling, nem me lembro mais de que cor era. Ela ainda havia me prevenido que era melhor ver os tecidos ao vivo...Quando chegamos à slingada, me apaixonei pelo sling vermelho - e o Rodrigo também gostou da novidade. Ficou quietinho, com uns olhões bem abertos prestando atenção em tudo.
(Foi por meio da Analy que eu conheci a Materna e tenho certeza que essa rede de mulheres e mães maravilhosas foi fundamental para a minha experiência de ser mãe. As experiências partilhadas põem em xeque modelos estabelecidos, ampliam o repertório e abrem espaço para que a maternidade seja exercida a partir de um olhar atento aos nossos queridos filhotes - como são, e não como gostaríamos que eles fossem).
Bom. Daí que nunca mais paramos de andar de sling, né? Rodrigo estava com cólicas? Era colocá-lo sentado no sling, que tudo se resolvia; o problema era agitação? lá ia o menino para o sling passear pelo bairro; a mãe é que estava estressada? passeio na gente que em meia quadra caminhada tudo ficava mais tranqüilo... O Edu também adorava caminhar com o serzinho penduradinho.
Quando ele começou a comer frutas, íamos ao CEASA e o Rodrigo era a sensação dos vendedores. Vez em quando aparecia alguém para perguntar se ele não estava apertado, machucado etc. Mas em geral as pessoas se encantavam. Porque a segurança que o Rô sentia transparecia na carinha dele, na simpatia para com as pessoas...Pena que não temos foto dele sentado no sling, feliz da vida, comendo melancia (ou banana ou pêra ou mexerica já que ele ganhava pedaço de tudo quanto era fruta).
Ele está pesado para usar o sling agora. Mas isso não significa que tenhamos deixado de carregá-lo. Porque quando as costas começaram a reclamar, compramos um mei-tai (que está na foto). Cansei de fazer comida com ele amarrado nas costas. Às vezes ele estava com sono, mas não queria dormir, então eu o colocava nas costas e, mal começava a cozinhar, ele já estava dormindo.
Hoje usamos mais para passear e mais na frente (ele diz que tem medo de cair das costas). O fato é que ainda é muito gostoso carregá-lo pertinho de mim. No mei-tai, parece que estamos num abraço sem pressa e sem fim. Ele se aconchega e só vai curtindo a paisagem.
Não acho que colo e carinho des-eduquem ou deixem mal acostumado. Não mesmo. As crianças têm necessidades diferentes e o Rô desde pequeno exigia muito contato físico e proximidade com a gente. Se não fosse o sling, acho que teríamos pirado. O sling, assim, tornou possível dar a ele toda a proximidade que ele pedia sem que para isso tivéssemos que abrir mão de tudo e focar apenas nele. Porque a atenção de que ele precisava não tinha a ver com o olhar, o falar...Tinha a ver com pele, com o cheiro, com os ritmos do corpo.
Numa viagem para Londrina, perdemos o sling vermelho. Fiquei tão triste. Porque era um pano que embalara sonos, sonhos, descobertas e é como se parte dos primeiros anos do Rô tivesse ficado impresso nele, nas marcas, manchas e cheiros.
Fazer o quê? O mais importante, acredito, está impresso na memória e no corpo do Rodrigo. Um lugar-tempo de conforto ao qual ele sempre poderá voltar durante a vida.
21 de abril de 2008

Feriados prolongados com chuva, frio e criança pequena podem ser bem cansativos. Ainda mais se a criança em questão saiu de uma doença chatinha que a deixou cheia de açucar e mimos...
Mas por outro lado, essa convivência mais intensiva é tão gostosa. Especialmente porque dá para acompanhar nas coisas mais pequenininhas o quanto o Rô está crescendo.
O título do post é o nome de um livro da Madalena Freire. Eu li pela primeira vez há mais de doze anos, enquanto fazia magistério, e fiquei encantada. Para mim, moça do interior, que lidava com uma realidade completamente diferente nos meus estágios, foi uma grande alegria conhecer de maneira tão concreta outra maneira de educar, ainda mais crianças tão pequeninas.
E o termo que ela usa "paixão de conhecer o mundo" ficou sendo para mim o jeito mais preciso de dizer da relação com o conhecimento que uma escola deveria ser capaz de despertar em seus alunos.
O tempo passou e eu nunca cheguei a trabalhar com educação infantil. Logo que tinha terminado o magistério, não me sentia nem um pouco segura para trabalhar com criança pequena, mesmo tendo certeza que eles aprendem "apesar" da gente. Para mim, esses momentos tão fundamentais (As Etapas Decisivas da Infância, de que fala a Françoise Dolto) tinham que ser vividos junto a professores mais experientes e não junto a uma moleca de 18 anos, sem maturidade, sem repertório...
Mas a vida dá voltas e quando já estava quase terminando a faculdade, o primeiro trabalho que fui fazer foi de educação - educação no trabalho, com cooperados de uma cooperativa cheia de ambigüidades, num intenso processo vivido com mais 7 pessoas maravilhosas e sob supervisão da Fátima Freire Dowbor. Daquelas experiências transformadoras, que certamente ecoa até hoje na minha prática e reflexão. E uma experiência que também me ajudou a refazer meus laços com a educação, com essa responsabilidade tão imensa de conduzir um processo junto com um grupo de pessoas (crianças ou não).
Depois que o Rodrigo nasceu, passei para o outro lado da escola - não mais como educadora, mas como mãe. O Rodrigo ficou em um berçário dos quatro meses até pouco mais de um ano. Quando ele começou a se mover, a compreender melhor as coisas, resolvemos mudá-lo de escola. O berçário em que ele estava tinha umas coisas - comuns em grande parte das escolas infantis, mas que mesmo assim - me incomodavam. As principais eram deixar que as crianças chamassem as professoras de tia e colocar Xuxa para as crianças ouvirem. O Edu diz que é chatice minha, mas eu lia essas coisas como indicadores de que se tratava de uma prática sem reflexão. E como raios prática sem reflexão poderia levar à paixão de conhecer o mundo?
Procuramos algumas escolas e, por sorte, encontramos uma bem pertinho, que tinha um espaço amplo e gostoso e profissionais bem preparados. Foi a melhor coisa que fizemos, mudar o Rô para essa escola.
No ano passado, que o Rô estava no G1, a gente já percebia como o Rô gostava e se encantava com as coisas que ia aprendendo. Tão pequenininho e ele se envolvia com os temas, as histórias, as brincadeiras...E esse ano, em que ele já fala pelos cotovelos, dá para perceber como o experimentar nessa fase se liga à imitação, ao esforço de compreender as sensações do outro, os significados do que se diz e como se diz. Acho um barato.
Porque de um lado tem essa descoberta das sensações e sentimentos - e aí o trabalho nosso e da escola de ajudá-lo a nomear essas coisas - e tem a descoberta do próprio mundo - as músicas, brincadeiras, bichos, livros, linguagens. É tão bacana. Em vários momentos me pego boquiaberta diante desse olhar curioso que ele tem para a vida. É claro que é coisa de criança, mas para mim também é clara a influência que a escola e as pessoas que nela estão tem para a maneira com que isso se expressa. Olho pro Rô e sinto que ele é livre, que ele já tem algumas ferramentas para se colocar no mundo: ele já está no mundo. E me leva pela mão com ele, para eu ensiná-lo, para ele me ensinar.
O que mais pode querer uma mãe?
Fonte da imagem: http://jardimdaalegria.blogspot.com/2007/03/educao-infantil-artes-pequenos-artistas.html
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Solução avançada de problemas
As crianças de hoje são tão espertas que eu costumo chamar o Rodrigo de "solução-avançada-de-problemas" (igual à mensagem que aparece quando o Windows tá começando, sabem? "aperte F-alguma coisa para solução avançada etc." Não sei porque, acho muito boa essa frase e acho que se aplica perfeitamente às capacidades dessas pessoinhas...).Enfim. Fato é que Rodrigo é filho de mãe natureba e vegetariana e pai com um pé na junkie food. Então, ontem no lanche tinha hambúrguer de soja e orégano e também salsichas. O que o menino fez? Montou um sanduíche em pão de hambúrger recheado com...hambúrguer de soja & salsichas. Ao mesmo tempo. E pôs catchup em tudo.
Sem crise, sem esquizofrenia... Embora, para minha tristeza, ele só tenha comido as salsichas :-( e eu juro que é um hambúrguer de soja bem gostoso.
Imagem: www.gettyimages.com.br
sábado, 25 de abril de 2009
O mundo
Comecei a cantar e quando chegou na segunda estrofe, em que a música diz:
Fique assim, fique assim sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim e você...
Rodrigo me interrompeu:
- Mas mãe, o mundo não é ruim.
E eu concordei, "é, filho, não é".
Mas me deu vontade de continuar a cantar a música e explicar que, de vez em quando, o mundo parece sim ruim; talvez de vez em quando, ele até seja de fato. Quando a gente se desilude, quando a gente desacredita, quando a gente se desespera e só tem espaço pro bicho-papão.
Que bom, Rô, que pra você, pelo menos por enquanto, a vida é bem mais do que o bicho-papão. Que bom, filho, que mesmo com essa correria de ultimamente, essa tese que nunca termina, você sabe que o mundo é bom. Ou bão.


