terça-feira, 9 de novembro de 2010

Inquietação





 (Clique na tirinha para aumentar)

Eita, Rodrigo: agora sim eu entendi que o que parece ser sua inquietação no sofá é só a infelicidade da nossa falta de imaginação.

Tirinha: Liniers

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Mil folhas


Rodrigo, feliz com seu primeiro enxaguante bucal, que deixa os dentinhos azuis onde se concentra a sujeira:
"mamãe, eu vou usar e vou cuspir direitinho; só neném é que engole; eu já sei usar; e aí vou escovar bastante e meu dente vai ficar limpinho em folha :-)

Imagem: daqui.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Nacionalista


Na volta da escola, eu dando banho na criatura e perguntando sobre o dia. Até que chegamos na conversa do almoço:
- e você comeu bastante, filho?
- comi.
- o que é que você comeu?
- alface. mas não era alface normal, era alface de outro país...
Eu, já meio rindo:
- é, filho? romana?
- não.
- americana?
- isso! (pára e pensa). Eu não gosto de alface americana, só gosto de alface de São Paulo!
O menino tá num ótimo caminho para o consumo sustentável :-)

Imagem: daqui.

bem-vindo!

Logo cedinho, conto para o Rodrigo que o neném que tem dentro da barriga da Paulinha é um menino e que chamará Francisco:
- ele é francês, mãe.
- não, filho, ele vai chamar Francisco, Chico!
- mas Francisco rima com francês.
Francês-Francisco-Chico: seja muito bem vindo!!!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

máquina do tempo

Rodrigo e eu indo para Londrina e o menino não parou de tagarelar durante os primeiros 300km. Olhava tudo, comentava coisas como:
- mãe, eu gosto desse ônibus. Nesse você não tem que me deixar aqui sentado para ir pagar...
Ou:
- eu gostei desse ônibus, mãe, ele é chique!
Vimos vacas estradeiras, nuvens de formas variadas... E num dado momento, Rodrigo me diz:
- mãe, a gente já andou muito, né?
- é, filho, já andamos bastante.
Aí ele aponta para a janela e comenta:
- acho que já estamos no século XVII.
Da próxima vez tenho que prestar mais atenção na hora de embarcar: achei que estava indo rumo à Londrina, mas me meti mesmo foi numa viagem rumo ao passado :-)

domingo, 12 de setembro de 2010

Horário Comercial

Tomando banho, deu-se o seguinte diálogo:
- Rodrigo, você não vai lavar atrás da orelha?
- Não, mãe. A orelha só lavo de segunda à sexta.
Eu realmente não sei de onde ele tira essas coisas :-)

sábado, 11 de setembro de 2010

Eco-eco-eco

Rodrigo agora deu de ficar brincando com o eco. Mas não é que ele espera a gente estar em algum lugar que, de fato, produza eco. Não, Rodrigo decidiu, no melhor estilo tabajara, que não dependerá de lugar para ouvir o eco de suas próprias palavras. Assim, o menino ficou por cerca de quinze minutos, no meio da sala, gritando:
- Eco, eco, eco...
- Mamãe, ãe, ãe...
- Sofá, fá, fá...
- TV, ê, ê, ê...
- Avião, ão, ão...
- Cabeça, eça, eça...
- Chulé, é, é...
- Carros, arros, arros
Eu mereço, eço, eço ;-)

Ternuras

Rodrigo e eu fazendo a limpeza anual de brinquedos, sentados no chão em meio a uma porção de brinquedos e brinquedinhos. Encontramos um jogo de memória e ele me pede para jogar.
- Ai, filho. Acho que não vai dar. Mamãe está com dor nas costas...
- É, mãe? Pérai que vou te dar conforto.
- ?
Ele levanta e começar a procurar:
- Cadê? Onde tem um conforto?
(e eu observando com uma baita cara de pastel)
- Aqui! Achei, mãe. (Me estende uma almofada). Pronto! Agora você tem conforto.
Ô! Depois desse carinho todo, fiquei me desmanchando que nem o recheio da almofada :-)

sábado, 14 de agosto de 2010

Internacional


Rodrigo adora sotaques... sempre que percebe alguma diferença no modo de falar das pessoas fica construindo hipóteses sobre de onde ela vem. Imaginem vocês que a Copa do Mundo só contribuiu para ampliar as referências do menino... Então, hoje, na festa de um amiguinho, deu-se o seguinte diálogo entre ele e um moço:

- Você tem sotaque... Você é inglês, da Inglaterra?
- Não.
- Você é alemão, da Alemanha?
- Não.
- Você é português, daquela cidade que fica em Portugal?
- Não.
- Então de onde você é?
- Eu sou uruguaio, do Uruguai.
- E você joga futebol?

Depois disso tudo, a esposa do moço veio contar ao Edu toda a conversa, muito espantada com o afã perguntadeiro do menino :-)

Imagem: www.gettyimages.com

sábado, 24 de julho de 2010

Segredos


 Rodrigo conversando com a irmã:
- Rô, essa é uma caixa secreta?
- Não, Júlia, é bi-cicleta!

domingo, 13 de junho de 2010

Ditado revisitado

Rodrigo confirmando o ditado que mencionei a ele: "O arroto falando do esparramado"? ;-)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Dinosaurs



Só para registrar um vídeo que o Rodrigo conheceu lá no Familiarte e que a gente se diverte horrores cantando e dançando...

domingo, 9 de maio de 2010

Diálogos


 Ontem, Rodrigo tomando o sorvete de algodão-doce mais azul que já vi na vida:
- Mãe, sabe como eles fizeram esse sorvete?
- Como, filho?
- Eles estenderam a mão lá no alto e pegaram as nuvens para misturar e deixar gelado.
- É mesmo? Acho que eles também pegaram um pouco de céu, por isso é que ficou azul.
- É! E aí misturaram bem.

Hoje, conversando sobre o Dia das Mães:
- Mãe, você comprou algum presente para você, pra você abrir hoje?
- Sim, filho, é que não chegou.
- Mãe, sabe o que eu vou querer?
- ?
- Quando for Dia dos Filhos?

Imagem: daqui.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Desarmada



Rodrigo enrolando para comer... Aliás, algo que tem sido rotina por aqui: sede, o menino tem aos montes; mas fome... De vez em quando tem uma fases, mas duram pouco - uma semana e ele já volta à sua inapetência. É mais com comida, já que frutas ele até come, mas mesmo assim cansa.

De todo jeito, estava eu tentando incentivá-lo a não perder o foco e comer. Aí falei, bem firme:
- Rodrigo! Eu não preciso de cadeira agora! (Ele queria pegar uma para que eu colocasse os pés e, assim, esticasse meu joelho gorebado). Pode acabar de comer primeiro!

Ao que a pequena criatura sorriu pra mim e... bateu continência! Juro-juro-juro!

E a mim não restou senão dar uma imensa gargalhada, apanhada no flagra em um momento general ;-)

Imagem: daqui.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Baibai

Rodrigo agora anda descobrindo o inglês - pergunta como fala, repete, conta até dez, nomeia as cores... É tão gostoso, participar de sua curiosidade.

O engraçado é que ele não gosta de dizer "tchau", mas diz bye bye. Talvez sem ser na língua mãe, a despedida pareça menos definitiva: em vez da secura abrupta do "tchau", a ludicidade do baibai.

Hoje de manhã, no café, o pequeno alquimista reinventou mais uma vez a palavra. Estávamos conversando sobre algo que já nem me lembro quando ele me relatou: "mãe, já estou baibado..."

Não é bacana? Quando a gente tem essa sensação por dentro de ter resolvido a despedida? Da próxima vez que sentir isso, já vou saber: estarei baibada ;-)

terça-feira, 16 de março de 2010

domingo, 14 de março de 2010

Notinha de domingo à noite

Meu querido filhote,

é domingo à noite e você dorme esparramado no sofá, com os pezinhos no meu colo. As pernas compridas e magrelas, o amigão inventando um escurinho no seu rosto. O fim de semana é pouco para o tanto de coisas que você tem a dizer, brincar, desenhar, dançar...
E eu fico pensando que, se a nossa vida fosse essa proximidade todos os dias, meu coração mal ia aguentar de tanto transbordamento: te olhar, brincar com você, prestar atenção às suas histórias com mais calma fazem o tempo correr mais devagar, mas também tão mais intensamente. É tão bom. Me enche de razões pra agradecer. Então, agradeço.

Uma beijoca na ponta do nariz.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Guerra nas estrelas

Rodrigo agora anda com mania de Star Wars. Há algum tempo, a Bia (a irmã mais velha) comprou os três episódios (os primeiros que depois viraram o IV, V e VI) e Rodrigo assistiu e adorou. Aí, de vez em quando ele pede pra Bia emprestar de novo.

Na semana passada ele pediu o IV. E na terça-feira a Bia trouxe o V, que é mais assustador, mas que ele disse que ia rever mesmo assim.

Então ontem, depois de pegá-lo na escola, estávamos indo para a USP para visitar o trabalho da outra irmã, que está em exposição na FEBRACE, e o Rodrigo resmungou:
- Ai, não... Eu só queria ir pra casa, tomar um banho e assistir Star Wars...
Pobre criança cansada! E a Bia também observou que ele está num bom caminho para se tornar nerd (e levá-lo na FEBRACE para ver aquele monte de robôs e projetos deve ter ajudado bastante!).

Chegamos tarde e ele nem viu o filme. Aí hoje de manhã pediu para ver uns pedaços. Deixei, mas dali a pouco começou uma cena de disparos de laser (quando o Luke tenta salvar o Han Solo do congelamento) e Rodrigo constatou:
- mãe, sou muito pequeno pra ver esse filme. Pode desligar.

Desliguei. Futuro nerd ou não, meu pequenino é sobretudo uma criança esperta :-)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sistêmico

Rodrigo e eu arrumando os brinquedos hoje de manhã. Colocando o pequeno (mas comprido) ônibus junto com outros carrinhos, ele observa:
- Mãe! Esse demora muito espaço!
Que delícia, filho, que pra você tempo e espaço ainda se misturam assim. Vontade de que ver você crescendo ainda ocupe muito do nosso tempo :-)

domingo, 31 de janeiro de 2010

Maquiavélico


Não sei se foi efeito da fantasia de príncipe que o Rô andou usando ou se é só inteligência mesmo. Mas ontem, deram-se fatos muito surpreendentes e divertidos aqui em casa.

Eram umas três e meia da tarde e Rodrigo teve uma fominha vespertina. Pediu sucrilhos sem leite e eu dei. Ele então sentou-se no sofá, no colo da irmã mais velha, a Bia, e ao lado da irmã mais nova, a Júlia.

Júlia então começou a surrupiar discretamente alguns sucrilhos do pote de Rodrigo. Mas nem toda a discrição do mundo poderia fazer com que o menino não percebesse, então ele deu uma bronca:

- Júlia! Pára de pegar meus sucrilhos!

Como ele, além de faminto, estava com sono, reforçamos a recomendação de não provocá-lo (e até ofereci um pote de sucrilhos próprio à Júlia - que, vale notar, tem 15 anos). Mas era tarde demais... Dois minutos depois da bronca, Rodrigo olhou para mim, com um ar de quem tem uma lâmpada brilhando acima da cabeça e pediu, com voz doce:

- Mamãe, coloca leite no meu sucrilhos?

Estranhei, mas disse que sim. Ele então completou seu pensamento:

- Se tiver leite, quando a Júlia colocar a mão, ela vai molhar o dedo e gritar "ai, ai, eca"!

Vê se pode? Eu confesso que fiquei rindo até às lágrimas com esse causo. Aí a gente percebe como nossos filhos de fato já aprenderam as relações de causa e efeito. O único porém é que o uso que eles fazem dessa aprendizagem é meio... incomum ;-)

Imagem: Nicolau Maquiavel, tirada daqui.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Rodrigo-Max



Rodrigo há tempos vem lidando com seus monstros e os livros tem sido companheiros fundamentais nesse processo. Primeiro ele encanou com Mamãe virou um monstro. Todas as noites esse era o livro que escolhia para ouvir. E quando eu, tentando explicar a ele sobre meus humores e chateações, fui comentar que às vezes também virava monstra, fui acolhida com imenso carinho pelo meu filhote, que aliviou minha culpa ao contar que também ele, e a irmã mais nova, e o papai viravam monstros.
Mais recentemente, são três os livros de monstros que fazem sucesso. Há o divertido Vai Embora, Grande Monstro Verde, que o Rô conta para si mesmo, sozinho, diversas vezes, feliz e contente com o poder de dizer ao monstro que vá embora e vê-lo partir, pedacinho por pedacinho. Também o maravilhoso Fuja do Garabuja, cheio de poemas deliciosos e ilustrações cheias de fantasia. Mas, sem dúvida, o preferido tem sido  Onde vivem os monstros, talvez até pela comoção em torno do filme.



A gente já lia o livro há um tempo, e estava esperando pelo filme. Porém, a classificação é 10 anos e um amigo querido nos sugeriu que o Rô pode achar o filme muito parado. Então, a gente se diverte vendo o trailer e lembrando os melhores pedaços do livro.
Por tudo isso, quando fiz uma coroa para ele, em parte foi por causa do tema que o grupo dele trabalhou no semestre passado - Princípes e Princesas - e em parte foi também para que ele pudesse seguir fantasiando e elaborando sua relação com os monstros - esses seres fascinantes com os quais nos identificamos, mas ao mesmo tempo tememos; essas partes de nós mesmos que gostaríamos de libertar, mas da qual abrimos mão em nome do aconchego de sermos cuidados e acolhidos.



Ai, filho... Que a gente não acaba nunca de procurar o equilíbrio entre cuidar carinhosamente dos nossos monstros e mantê-los sob controle. A gente não acaba nunca de oscilar entre a vontade de liberdade e a vontade de ter laços.



Que a bagunça monstruosa comece!!!!!!
(E quando você voltar, tenha certeza que o seu jantar quentinho estará esperando por você).

Imagem: Maurice Sendak

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

João Pedro

Nesses dias de tanta chuva, resolvi contar pro Rô uma história que minha avó sempre contava: a de que chuva era São Pedro fazendo faxina... Como ele quer tudo limpinho, capricha na arrumação: arrasta móveis de um lado pro outro e dá-lhe água pra deixar tudo tinindo de limpo!

Pois bem. Rodrigo gostou da história. O único problema é que o menino não processa que Pedro é um santo e, como tal, carrega a aureóla de santidade no São. Na-na-ni-na-não! Quem mora no céu e faz faxinas malucas e diárias, na cabecinha do Rô, é um menininho. Chamado João Pedro...

Esse João Pedro deve participar daquela equipe que monitora os focos de dengue, que o Rô vê a propaganda no Discovery Kids. Sabem? A "Turma do Tomate" (na verdade, Turma do Combate).

Devo estar falhando na hora de lavar as orelhas da criança...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

High-tech




Rodrigo hoje foi comigo ao correio (ele adora Correio e Carteiro. Já decidiu que será carteiro quando crescer e vibra todas as vezes que vê um caminhão de Sedex ou um carteiro uniformizado).

Bom. Mas chegando ao correio, o moço foi pesar a carta e Rodrigo se encantou com a balança. Mexeu prum lado, mexeu pro outro, até que avisei:
- Rô, cuidado! Você vai acabar descompensando a balança e ela vai começar a errar o peso das cartas!

Ele me olhou, desconfiado... E perguntou:
- Vai acabar a bateria?
- Não, filho. Não tem bateria nessa balança.

Ele pensou mais um pouco, e soltou:
- Mas então vai cair a conexão?

Olha, juro que se eu não tivesse ouvido, não ia acreditar! Essas crianças são muito adaptadas às tecnologias...

O moço ficou lá, meio se controlando pra não começar a gargalhar, mas dando risada - só não sei se da tirada do Rodrigo ou se da minha cara de atônita ;-)

Imagem: daqui.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Torcedor roxo


Vai daí que o Rô decidiu agora que, como a mãe, torce pro Santos. Já ganhou uniforme e copo, já falou da predileção pra Deus e o mundo... E também já se saiu com várias conversas engraçadas, que fazem a gente imaginar o que exatamente passa pela sua cabecinha bagunceira :-)

Essa foi a Juju, minha sobrinha, que ouviu. Estavam D. (meu outro sobrinho) e Rodrigo brincando e discutindo, porque o Rô não queria saber de emprestar a máquina fotográfica pro primo.
D., super sabido, jogou a carta da lição de moral:
- Se você não emprestar, você é egoísta.
Mas não adiantou nada, já que Rodrigo não passa nem recibo e saiu-se com um berrado:
- Não sou egoísta, sou santista!

Dias depois, eu conversava com Rodrigo sobre as artes que eles aprontam na escola. E ele rindo, mas negando tudo, até o fim...Aí eu comentei:
- É mesmo, Rô, você e o P.C. são uns santos...
Mas ele rebateu:
- Não, mãe, o P.C. me falou que é palmeirense...

Imagem: daqui.